Is there anybody out there?

Atenção: o que virá a seguir é um relato de um fã do bom e velho Rock ‘n’ Roll completamente extasiado após um concerto fenomenal de Roger Waters.

Um espetáculo para encher os olhos, ouvidos e o coração. Cito uma frase de outro grande vocalista: “o Rock foi feito para ser grande. O ímpeto é um dos aspectos.” O Rock foi feito para emocionar, encantar e mudas as pessoas, que compartilham num determinado momento de sua mágica envolvente. E foi isso que presenciei ontem, num histórico 1º de abril, que sim, aconteceu de verdade. 😛

Caro leitor, espero que você entenda que, por mais que me esforce, você não terá ao final desta leitura a mesma emoção que senti naquela noite e que gostaria de transmitir. Um espetáculo como aquele deve ser sentido ao vivo. Não que isso seja a desculpa de um cara totalmente amador na arte de descrever, mas é que fico aqui numa impossível missão de descrever o indescritível. Mas vamos lá!

O espectador que chega ao estádio sente-se envolvido e diminuto ao se deparar com o palco. Um gigantesco muro de 137 metros de extensão e 11 de altura que atravessa o estádio. Não há como não se emocionar com algo tão carregado de significado. The Wall é a metáfora criada pelo próprio Waters para o isolamento afetivo do indivíduo, e também para a barreira que separa o artista de seu público.

Impressionantes projeções e efeitos visuais são apenas mais um recurso para contar o álbum The Wall. Sim, The Wall não pode apenas ser tocado, mas contado e vivido. O álbum é extremamente visual e tem caráter narrativo, tanto que fora adaptado para o cinema numa versão em live-action de 1982. É uma ópera rock focada no garoto Pink, personagem baseado no próprio Waters.

Tudo em The Wall é superlativo. E cada efeito sonoro, cada explosão, bem como os balões e helicópteros, cada um destes é um elemento fundamental que compõe o grande quebra-cabeça de The Wall.

Fogos, explosões de luzes e um avião que passa sobre a cabeça dos espectadores até colidir com o gigantesco muro. Foi, sem dúvidas, o começo de show mais espetacular que já presenciei. Assim começava a viagem que duraria 28 canções e mais de duas horas.

“Pink isn’t well he stayed back at the hotel

And they sent us along as a surrogate band

And we’re going to find out where you fans

Really stand”

Não demorou muito para que um dos grandes clássicos do Pink Floyd fosse entoado por todas as 70 mil vozes presentes. Em “Another Brick In The Wall – part II”, um gigante boneco inflável dança sobre o palco, intimidado por um coral de crianças vestindo camisetas com os dizeres “Fear Builds Walls”, enquanto o estádio por completo se preenchia pelos versos da obra-prima.

Hey! Teachers! Leave them kids alone!

All in all it’s just another brick in the wall.

Parece exagero, mas me lembro de ter observado tímidas lágrimas escorrendo pelo rosto de um senhorzinho sentado na fileira da frente. Com certeza foi um daqueles que acompanhou os grandes tempos da banda, e talvez tenha esperado por décadas para ver pessoalmente este disco acontecer ao vivo.

Enquanto as canções do primeiro disco aconteciam, o gigantesco muro ia se erguendo ainda mais. Até o intervalo, o espaço que existia no centro do palco, por onde se podia ver o restante da banda, já não existia mais. A metáfora do muro estava completa, acompanhada por canções que falavam sobre guerra, abandono e isolamento. A última delas, Goobye Cruel World.

Goodbye all you people

There’s nothing you can say

To make me change

My mind

A segunda parte do show teve o êxito de proporcionar momentos ainda mais espetaculares. Agora o muro estava completo, e suas projeções iam cada vez mais fundo nos temas já citados, pegando mais pesado na critica à toda forma de governo.

Em “Bring the Boys Back Home”, a projeção mostra o momento em que uma garota é surpreendida pelo retorno de seu pai, após a Guerra do Iraque. Waters cita por diversas vezes a guerra e presta homenagens à pessoas que perderam suas vidas em conflitos, como foi o caso de seu pai, morto durante a II Grande Guerra.

Para mim, esse foi segundo momento mais emocionante da noite, superado apenas pela apresentação que viria a seguir: “Comfortably Numb”. Esta, sem palavras que possam descrevê-la. Talvez o vídeo seja a melhor forma de você tentar entender.

 

 

“TEAR DOWN THE WALL!”

Em “The Trial” um dos momentos mais simbólicos da noite. O muro é derrubado diante da platéia em um só movimento, e os músicos vêm à frente dos destroços para o fim do concerto com a faixa “Outside the Wall”.

Assistir The Wall é como ser transportado para uma experiência bizarra e ao mesmo tempo agradável, para dentro da mente conturbada de Roger Waters.

Porém, tenha cuidado! É uma viagem sem volta. Seja um pouco conturbado, talvez mais crítico com seu governo, ou simplesmente apaixonado pela música do Pink Floyd, quem passa pelo muro não volta o mesmo.

O que mudou em mim? Cedo demais para dizer.

Por fim, posso dizer que, misturando imaginação e realidade, The Wall é inesquecível.

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Sobre João Paulo

Data Intelligence na Ogilvy. Bacharel em Comunicação Social - Midialogia pela UNICAMP. Me dedico à compreensão, planejamento e execução de estratégias de comunicação em plataformas de mídias sociais. Leio muito sobre sobre Social Media e Transmedia Storytelling. Ver todos os artigos de João Paulo

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