The Real Thing

 

Ao completar 24 anos de vida, milhares de idéias querem espaço ao mesmo tempo em minha mente. As preocupações antigas agora tem novas companheiras: formatura, mestrado, especialização, carro novo, câmera nova emprego, mudança de casa… Talvez a fase mais turbulenta de um homem no auge de seus 24 anos.

Semana passada assisti o documentário “From the Sky Down”, um filme que fala sobre o processo de criação do álbum Achtung Baby do U2 (sim, lá vamos nós usar a banda como exemplo mais uma vez.) Mas é um bom exemplo para mostrar porque essa é muito mais do que apenas mais uma banda de Rock pra mim. Enfim, o filme mostra como a banda conseguiu se manter viva, após o final turbulento dos anos 80, e como a banda conseguiu reinventar seu som e abrir as portas para os anos 90 de maneira triunfal, enquanto as outras maiores bandas de Rock daquela época começaram a nova década sem saber muito qual caminho seguir.

No final dos anos 80, a banda tropeçou em sua própria grandiosidade. Talvez por terem criado dois dos melhores discos de rock da história (War e The Joshua Tree), a banda tenha acreditado estar num patamar que, na verdade, ainda não havia cansado. Com o lançamento de Rattle and Hum em 1989 isso fica bastante claro. A banda tropeçou em sua grandiosidade, em sua arrogância, e quase chegou ao fim motivado por diferenças artísticas, algo bastante comum em grandes bandas  de rock. Como bem diziam criticos daquela época, Rattle and Hum era o som de 4 caras que “ainda não haviam encontrado o que estavam procurando.”

A solução encontrada pela banda no início dos anos 90 foi passar a borracha em tudo que havia acontecido na década anterior. Não renegar aquele som, mas definir claramente que aquele período havia acabado, e a banda precisava encontrar um novo caminho naquele momento. Era preciso abandonar o U2 antigo, e antes de descobrir como seria o novo U2, a banda não tinha mais nada. Foi nesse momento que os irlandeses provaram porque são uma das maiores bandas de todos os tempos: conseguiram captar as influências da música naquele período, um período de turbulento devido a queda do muro de Berlim e o consequente choque cultural na Europa, e criar um novo estilo musical, emplacando algumas das melhores canções da banda em mais de 3o anos de carreira, como One, Mysterious Ways, Love is Blindness, Until the End of the World e The Fly.

Pois bem, todo esse discurso introdutório até agora foi para mostrar exatamente como estou hoje. Assim como um U2 no final dos anos 80, é hora de repensar as escolhas e tentar encontrar o melhor caminho nesse período pós-universidade. Apesar de grandes conquistas que tive até hoje, como ter conseguido entrado em uma das melhores universidades do Brasil e ter me destacado nela, essa fase acabou. Não estou falando apenas sobre estudo e mercado de trabalho, mas também de questões pessoais, de minha rotina, do modo como me relaciono com as pessoas, enfim… É hora de parar. Não sei onde quero chegar e não sei qual será a maneira correta de encarar os próximos anos. É um processo um pouco mais longo, que precisa começar com mudanças na minha essência, mudanças que vão refletir no eu a partir de agora.

O ano acaba e não deixará saudades. O último ano da minha faculdade, o primeiro emprego, o show que eu esperei por 5 anos, todos esses acontecimentos gigantescos acabaram ofuscados por vários fatores. Não preciso comentar o que, pois isso seria expor demais meu coração. A sensação que fica é a de que 2011 foi um ano cheio, mas não me deixou satisfeito. Nem perto disso. Posso dizer que ainda não encontrei o que estava procurando.

O que mantém minha esperança viva é justamente a convicção de que muito precisa mudar, e minha disposição por fazê-lo. É preciso conseguir conseguir uma nova essência e abandonar a antiga, e nesse meio tempo, não tenho nada. Tenho convicção que os próximos desafios, aqueles que citei no começo do texto, não podem ser vencidos pelo meu eu antigo. Ou, pelo menos, não me fazem sentir completo.

É hora de mudar.

Achtung, Baby!

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Sobre João Paulo

Data Intelligence na Ogilvy. Bacharel em Comunicação Social - Midialogia pela UNICAMP. Me dedico à compreensão, planejamento e execução de estratégias de comunicação em plataformas de mídias sociais. Leio muito sobre sobre Social Media e Transmedia Storytelling. Ver todos os artigos de João Paulo

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