U2, inesquecível.

Entrei no gramado do estádio do Morumbi pela meta onde Marcos defendeu o pênalti na Libertadores de 2000. Talvez um dos momentos de mais alegria da minha vida e da de qualquer palmeirense. Mas dessa vez eu entrava lá para presenciar um espetáculo maior, que deixou para trás qualquer grande vitória, qualquer momento de alegria proporcionado pelo meu time.

A primeira coisa que vi quando entrei pelo portão foi a garra. É claro que meus olhos a procuravam desde o começo do túnel de acesso. Pra quem não sabe do que estou falando, a ‘garra’ é o maior palco já usado por uma banda de Rock. É o palco que dá nome àquela que se tornou, no último dia 10, a maior turnê de uma banda de Rock de todos os tempos.

Todo fã de U2 já conhece esse palco há quase dois anos, desde quando ele foi montado pela primeira vez no Camp Nou em Barcelona. Já está familiarizado com todos os truques e efeitos que surgem daquela torre o do telão circular que já encantaram platéias de quatro continentes. Porém, vê-lo ao vivo é outra coisa. É estranho ser surpreendido pela grandeza de algo pelo qual você acreditava já tem intimidade.

Dalí até a hora da banda subir ao palco foram 4 horas de espera. Horas dedicadas a ouvir histórias de fãs da banda de diversos lugares do Brasil, debaixo de uma chuva nem um pouco bem-vinda. A expectativa durou até os primeiros acordes de Space Oddity, música de David Bowie que serve de abertura para todos os shows do U2 durante a turnê, levantarem as 90 mil pessoas no estádio. Quando os quatro integrantes da banda apareceram no telão o barulho se tornou insuportável. A emoção era indescritível.

Noventa mil pessoas envolvidas, compartilhando o mesmo momento e sendo abraçadas pela mesma emoção. É algo que só uma das maiores bandas de Rock da história consegue fazer. Não é apenas Rock, é U2.

Aqueles que esperavam uma abertura óbvia, com Beautiful Day ou The Return f the Stingrey Guitar foram surpreendidos por Even Better than the Real Thing, clássico do Acthug Baby. Confesso que está longe de ser uma das minhas favoritas, e que talvez a animação de consumiu o estádio fosse fruto muito mais da banda estar ali do que da música escolhida, mas funcionou muito bem.

Só mesmo quem é fã compreende o quanto os momentos que se seguiram no foram históricos, quando a banda começou com os primeiros acordes de Out of Control, primeiro single da banda lançado em 1979 e que não era tocado ao vivo desde 2006. A música evoca um pouco sobre a passagem para a vida adulta, quando temos milhares de sonhos e metas surgindo simultaneamente em nossas mentes. Lembro que só conheci essa música lá pelos meus 18 anos, exatamente quando vivia essa fase, o que fez com que essa música significasse bastante pra mim.

Ouvir o U2 ao vivo é diferente exatamente por isso. Não é só mais uma banda, mais um show, mas um setlist. Cada música era como sentir mais uma vez como eu me senti em alguns dos mais importantes momentos da minha vida. É do U2 a principal trilha sonora de alguns dos momentos mais importantes da minha vida. Lembro de quando comecei a gostar de Rock, ouvindo Elevation lá pelos idos de 2001. De ouvir Electrical Storm durante uma péssima fase pessoal em 2006. Lembro de como Beautiful Day e New Years Day foram dois hinos quando estava tentando me tornar aluno da UNICAMP. De como With or Without You, Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me e All I Want is You são os sons de alguns ótimos dias, esses bem mais recentes. Enfim, ver os caras que criaram a trilha sonora de alguns dos momentos mais importantes da sua vida ali, a poucos metros de você, fazendo isso ao vivo, é uma emoção única.  Poder compartilhar isso com milhares de pessoas é indescritível.

Sabia a letra de todas as músicas que foram tocadas, até da surpreendente Zooropa, música de 1993 que nunca tinha sido tocada ao vivo. Mais um momento histórico da banda. Além dessa, todos os grandes hinos estavam lá, acontecendo na minha frente: Where the Strees Have No Name, In The Name of Love, I Still Haven’t Found What I’m Loonking For, One, Magnificent, Walk On, Mysterious Ways, Ultraviolet, City of Blinding Lights, Sunday Bloody Sunday, Miss Sarajevo… Todas essas cantadas em coro, de modo como eu nunca antes tinha visto.

Mas e Angel of Harlem, Desire, Stuck in a Moment, New Years Day, Bad, Zoo Station, The Fly, Electrical Storm, The Electric Co., The Unforgettable Fire, One Tree Hill, Bullet the Blue Sky, All I Want is You, Who’s Gonna Ride Your Wild Horses, Stay, Kite, In a Little While, Gone, Miracle Drug, Sometimes You Can’t Make it on Your Own, Tryin to Throw Your Arms Around the World, All Because of You, Original of the Species, Gloria, A Sort of Homecoming, The Hands That Build America, Party Girl, 40, Love Rascue Me, In God’s Country, The First Time, Staring at the Sun, 11 O’clock Tick Tock, Lemon, Yahweh, Surrender, October, Love is Blindness, Wild Honey,… Que outra banda pode se dar ao luxo de deixar tantas canções clássica de fora de um show. Fruto de mais de 30 anos de uma das carreiras mais brilhantes da história do Rock. Queria poder ouvir todas essas ao vivo, mas não conseguiria escolher qual deveria ser substituída no Setlist. Não tem como.

Uma banda que com riffs simples, como os de With or Withot You, consegue emocionar milhares de pessoas. Com as baladas Elevation, Vertigo e Get on Your Boots, músicas de melodia e letra igualmente simples, fazer todo o estádio pular como eu nunca antes tinha visto em outro show.

Depois de sair de lá, acho que nenhum show será como aquele. Talvez eu ainda conheça uma banda que represente tanto quando o U2 representa pra mim, mas ainda parece uma coisa distante. A sensação de deixar o estádio do Morumbi é de missão cumprida, é de satisfação depois de 5 anos de espera. De ter vivido um dos momentos mais importantes da minha vida. Não há banda que faça você se sentir assim em meio a 90 mil pessoas.

É U2.

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Sobre João Paulo

Data Intelligence na Ogilvy. Bacharel em Comunicação Social - Midialogia pela UNICAMP. Me dedico à compreensão, planejamento e execução de estratégias de comunicação em plataformas de mídias sociais. Leio muito sobre sobre Social Media e Transmedia Storytelling. Ver todos os artigos de João Paulo

3 respostas para “U2, inesquecível.

  • Sara

    Mew, nao podia ter falado melhor =]
    mas assim, pra mim, foi muito mais do que isso que vc escreveu… MUITO mais… ABSURDAMENTE mais… ouvir ao vivo uma música que você gosta desde, sei la, os 5 anos de idade… é indescritível (to falando de with or without you)…

    é isso aí, johnny =]
    realizamos um sonho hehe

  • Daniel Angione

    Eu arrepiei só de ouvir pelo rádio do Terra. Imagino como deve ter sido, mesmo… Arrependimento amargo de não ter ido 😦

  • Aurélio

    Legal, JP! Eu senti algo assim quando vi o Radiohead ao vivo em 2009…ler o seu texto sobre o show da sua banda favorita me faz ter saudades daquele dia e principalmente vontade de vê-los no Brasil de novo! Espero que um dia voltem.

    Show do U2 parece um showzaço mesmo! Deve ter sido fantástico.

    Abraço!

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