Café Rubatto: um foto-filme musical

Café Rubatto é um curta-metragem produzido por mim, juntamente com mais 3 colegas da Midialogia, para a Disciplina Projeto de Produção Sonora, em 2010. Trabalhei como diretor de som, cuidando de toda a parte de captação e edição da música em estúdio. Luiza Agreste fez a direção geral e edição, Fernando Dalberto foi Diretor de Fotografia e Adriana Miyamoto cuidou da produção. Vários outros colegas de curso atuaram em funções específicas, e todos eles são citados nos créditos do vídeo.

A nossa graduação (Midialogia-UNICAMP) exige 4 trabalhos de conclusão de curso, que devem abranger 4 das 5 áreas estudadas (Cinema, Televisão, Fotografia, Internet/Multimídia, Produção Sonora). Até o momento já terminei 3 desses trabalhos(Internet, Fotografia e Produção Sonora), sendo que Café Rubatto foi o segundo deles, e já estou em fase de produção do último… ufa!

Apesar de se tratar de um projeto de Produção Sonora, resolvemos incorporar um forte trabalho de vídeo, pois nos pareceu ser uma coisa pouco trabalhada no curso, isso de tentar abranger várias mídias e utilizar várias técnicas num mesmo trabalho. Café Rubatto lembra um filme mudo, que não tem diálogos e tem toda sua narrativa guiada pela música. Música que foi muito bem escrita pelos alunos da graduação em Música da UNICAMP, Pedro Destro e Lucas Bohn.

Da idéia à execução

Começamos com o argumento, definimos a história central, os personagens e a locação. Foram poucas semanas até termos o roteiro finalizado. A idéia era mostrar como um mesmo ambiente pode ser palco para situações e personagens diferentes e inusitados. Fizemos isso dividindo o roteiro em 4 partes, 4 histórias independentes, unidas num primeiro momento apenas por um personagem: o garçom. Cada uma dessas histórias foi escrita a partir de um sentimento, como felicidade, raiva, pressa, solidão, de modo que os personagens de cada cena deixassem transparecer em excesso o sentimento em questão.

A partir disso foram criados os storyboards, que precisavam ser bastante detalhados, mostrando inclusive a duração de cada ação específica. Isso para que os compositores pudessem definir os tempos das músicas, que deveriam acompanhar precisamente cada ação. Passamos o roteiro e os storyboards para eles, que em alguns meses escreveram 4 músicas, uma para cada cena. Era fundamental que pudessemos transmitir o sentimento em questão na cena através também da trilha sonora.

Em março começaram as gravações de trilha. Foram madrugadas inteiras nos estúdios do Departamento de Música da UNICAMP, o horário mais silencioso possível para as gravações. Optamos por gravar em sistema multi-pista, cada instrumento separadamente, o que aumenta e muito o trabalho, mas garante uma qualidade profissional ao som. E acho que conseguimos, depois de mais alguns dias na ilha de edição, tratando o áudio, fazendo ajustes de equalização, mixagem etc.

Como a narrativa do filme seria guiada pela trilha, era fundamental que ela fosse gravada antes do vídeo. Somente com a trilha 100% pronta é que fomos para a locação. A partir daí foram outras longas horas no Almanaque Bar de Barão Geraldo, que gentilmente nos cedeu um espaço para que nos instalássemos. E dá-lhe gravação.

No nosso roteiro pensamos também em vários elementos que só seriam possíveis com ajuda de computação gráfica. Não tivemos patrocínios e nem recursos em dinheiro vindos da faculdade para o trabalho.. então como é que a gente faz? A gente dá um jeito!

Elementos digitais complexos foram substituídos por elementos reais de papelão, papel, espuma e tecido. Lógico que isso mudou a estética do filme, e nós fizemos o possível para que tudo tivesse uma mesma linguagem, tanto os elemenos reais como os de CG. Raios, um cavalo, um príncipe, uma explosão… esses elementos tiveram que ser criados por computação gráfica, alguns utilizando Flash; outros, mais complexos, com o Adobe AfterEffects CS4.

É claro que tivemos problemas, tanto no planejamento como na execução do curta. Algo totalmente normal, já que muitas das coisas que nós realizamos, eram inéditas para nós; e outras, inéditas até no nosso curso. Além do que, é claro, tínhamos outros projetos para dividir as nossas horas de trabalho. Midialogia é muito disso: correr atrás e se virar com o que tem, buscando sempre alcançar o objetivo final. Tem que arriscar muito, fazer experimentos quando não há tempo e nem estrutura. Mas o resultado sempre é gratificante.

Esse foi um dos últimos trabalhos de produção sonora que eu fiz. Particularmente, cansei.. rs.. Apesar de ter gostado bastante e ter feito um excelente trabalho de som, creio que isso não é pra mim, e já estou encontrando outros lugares para despejar minha criatividade.

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Sobre João Paulo

Data Intelligence na Ogilvy. Bacharel em Comunicação Social - Midialogia pela UNICAMP. Me dedico à compreensão, planejamento e execução de estratégias de comunicação em plataformas de mídias sociais. Leio muito sobre sobre Social Media e Transmedia Storytelling. Ver todos os artigos de João Paulo

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