Senna, um documentário emocionante

Ayrton Senna - O FilmeNessa última quarta-feira fiz o que todo fã do maior piloto d F1 e todos os tempos, ou mesmo toda pessoa que curte um bom filme deve fazer nos próximos dias. O documentário Senna, recém chegado aos cinemas brasileiros, consegue mostrar de maneira inédita um Ayrton Senna que todos já ouviram falar, mas poucos conhecem de fato.  Consegue também fazer a platéia se emocionar como nunca, com uma história que já foi contada milhares de vezes. Mesmo a famosa cena da batida do piloto contra o muro, uma das cenas mais repetidas na história da TV brasileira, se transforma numa sequência angustiante, que fixa o espectador na tela como se o desfecho dela já não fosse conhecido.

O documentário vai contando a história do piloto, focando em sua passagem pela F1, iniciada em 1984 na Toleman, enquanto vai definindo sua personalidade, através de depoimentos, entrevistas, e contando algumas das escolhas de Senna dentro e fora das pistas. Um dos méritos do filme é justamente mostrar que o Senna dos bastidores era o mesmo Senna que o público estava acostumado a ver: um homem de personalidade forte, que não temia as repressões dos mais fortes e do lado “sujo” do automobilismo; obcecado pela vitória e dono de um espírito atormentado, frequentemente lutando contra si e contra o sistema da F1.

Com cenas de corridas, cenas de bastidores, entrevistas, depoimentos e videos familiares inéditos, o filme consegue capturar o espectador, que acompanha cada um dos passos do piloto até se tornar o maior nome do automobilismo de todos os tempos. E não tem como não se envolver e se emocionar ao ver as histórias, como a de quando Senna venceu o GP do Brasil tendo que levar o carro nas últimas  6 voltas da corrida apenas com a 6ª marcha; ou quando o piloto saiu do 16º até a vitória, conquistando o título; ou quando, no seu primeiro ano na categoria, Senna levou sua Toleman, uma equipe sem chance de vitória, até o primeiro lugar, e só não venceu porque uma decisão da comissão de prova beneficiou seu rival, Alan Prost.

O filme nos mostra personagens pouco conhecidos pelo público brasileiro que não viveu a época de Senna intensamente.  É nos apresentado um Alan Prost, tão obcecado pela vitória quanto o protagonista, que era protegido pelo polêmico Jean-Marie Balestre, presidente da FIA na época. Além dos pais de Ayrton, do médico que o recomenda que parasse de correr no dia anterior ao acidente fatal, além de vários outros.

Outro êxito do filme é mostrar a relação de Senna com o povo brasileiro, e sua importância para com ele e como o país, apesar de fornecer uma visão distorcida sobre o Brasil da época, que é mostrado como um país extremamente miserável. (convenhamos que o Brasil do inicio dos anos 90 não era o melhor lugar do mundo, mas enfim…)

Durante a sessão, o espectador não se sente diante de um documentário, e parece estar assistindo um longa-metragem comum. Ele torce pelo protagonista, tem antipatia com os “vilões”, se emociona e sofre até o final. Esse resultado é alcançado graças à opçao do diretor pelo uso apenas de imagens de arquivo, o que gera a impressão de continuidade própria do cinema de ficção. E parece mesmo que o filme esperou por anos, pronto, para ser montado. Uma história, que parece incrível de mais para ser real, já estava lá, esperando para ser contada naquelas imagens.

No que se refere às questões técnicas, o filme não deixa a desejar. Efeitos de recuperação de imagem e som transformam registro antigos de corridas com mais de 20 anos em verdadeiros espetáculos e imagem e som. Cada batida no muro parece produzida dentro dos estúdios de Hollywood.

Se você é machão, vá ao cinema sozinho, assim ninguém vai ver você chorando na sequência final. Se você é assumidamente chorona, prepare o lenço. Senna é, talvez, o filme mais emocionante que eu já assisti numa sala de cinema. Um relato inédito, da história do maior piloto de Fórmula 1 que já existiu. Parada obrigatória para os cinéfilos, para os fãs de automobilismo, e lugar já reservado na minha estante de DVDs.

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Sobre João Paulo

Data Intelligence na Ogilvy. Bacharel em Comunicação Social - Midialogia pela UNICAMP. Me dedico à compreensão, planejamento e execução de estratégias de comunicação em plataformas de mídias sociais. Leio muito sobre sobre Social Media e Transmedia Storytelling. Ver todos os artigos de João Paulo

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