O que foi o SWU?

Como se não bastasse a histórica apresentação do Bon Jovi, ainda estive presente em dois dias do Festival SWU na Fazenda Maeda em Itu, pra encerrar a semana mais Rock n’ Roll da minha vida. Foi uma experiência inédita, afinal nunca tinha participado de um festival de música com a presença de tantas bandas, e com tantas histórias pra contar.

Durante o festival e nos dias posteriores a ele, a internet foi bombardeada com milhares de comentários, em sua maioria negativos, de pessoas que foram para o festival. E eu não poderei deixar por menos. Apesar de ter sido uma experiência muito bacana, de ter assistido vários ótimos shows, como comentarei mais abaixo, a organização do festival pecou em vários pontos.

Pra começar ficou claro que aquilo não era um “movimento social’, como a organização insistia em denominar. O evento foi divulgado sobre os pilares da sustentabilidade, do engajamento social e da preocupação com o meio ambiante. Mas para demonstrar isso, não basta espalhar lixeiras de “material reciclável” e realizar um pequeno fórum no início de cada dia de evento. Fato é que a idéia de movimento social já começou a ser derrubada com a criação de pista premium, estacionamento premium, camping premium, vários locais de acesso restrito à quem teve condições de pagar mais caro. Isso sem falar nos diversos pontos de merchandising dos patrocinadores do evento, que bombardearam os visitantes com logotipos e imagens de produtos vindos de todos os lados. Num evento que se auto denominava “social”, essas coisas não poderiam ter acontecido.

Também faltou respeito ao público, que teve que suportar filas gigantes debaixo do sol das 14h, desembolsar uma boa grana quando teve fome ou sede (uma Heineken custava 6 reais, enquanto um suposto CheeseBacon saía por 12), além de ser atendido por funcionários visivelmente mal treinados e despreparados pra dar conta de toda aquela gente.

Os problemas foram parar também dentro dos shows, com vários problemas técnicos nos três dias de evento. O maior deles foi durante o show da banda Rage Against the Machine, quando o som caiu completamente e só foi arrumado após mais de 10 minutos. Problemas de som com volume baixo também foram recorrentes durante todo o festival.

Os shows

Deixando agora os problemas técnicos e de organização de lado, o SWU contou com bandas para uma variedade grande de gostos e estilos. Estive presente nos shows de Los Hermanos, Rage Against the Machine, Cavalera Conspiracy, Avenged Sevenfold, Incubus e Linkin Park, além das péssimas apresentações de Yo La Tengo e Pixies.

Principalmente no último dia, o som pesado do metal abafou completamente as bandas indies, de modo que sobraram até vaias para algumas destas. Os Los Hermanos fizeram um show marcante, especial para os fãs. Só a oportunidade de ver a banda reunida depois de 1 ano e meio já levou milhares de pessoas até o local do evento. O vocalista Marcelo Camelo já começou agradecendo a platéia pela presença antes de qualquer coisa, antes de mandar um setlist justo, relembrando vários dos grandes sucessos da banda. Ao final, Camelo a Amarante se emocionaram: “Nós nos sentimos muito privilegiados de ter vocês como parceiros da nossa obra”.

A banda que eu mais queria ver no primeiro dia do festival, também era a favorita de boa parte das 45 mil pessoas que estiveram presentes. Entretanto, o Rage Against the Machine fez um show que acabou ficando abaixo das expectativas do público, devido principalmente aos problemas técnicos que marcaram a apresentação. Fiquei meio longe do palco nesse, e posso dizer que em alguns momentos não conseguia nem reconhecer a letra de tão baixo que estava o som. Nem o ótimo setlist, que teve todos os clássicos da banda como Killing in the Name e Wake Up foi suficiente para dar uma nota boa ao espetáculo.

No terceiro dia de festival, depois de uma hora na fila de entrada, fui surpreendido logo de cara pelo ótimo show do Cavalera Conspiracy. Eu conhecia bem pouco sobre banda, e só fui parar lá porque meus amigos queriam ver o show. Mas valeu mesmo a pena. Som alto e pesado, público animado, tudo que torna um show inesquecível estava lá.

A grande surpresa do último dia de SWU foi a banda Avenged Sevenfold. Sem ser tão esperada quanto a última atração do dia, a banda fez talvez a melhor apresentação de todo o festival. Logo na abertura do show, com a música Nightmare, os fãs da banda foram ao delírio. A ótima presença do vocalista M. Shadows, o som alto e os efeitos no telão transformaram o show num espetáculo do melhor tipo. Eu mesmo admito que me tornei fã da banda depois desse dia.

O Incubus fez um show correto, sem grandes performances, mas dentro do esperado. Sem problemas técnicos e com um ótimo setlist, a banda californiana foi o único momento bom do Rock alternativo no último dia de evento. Diferente do péssimo show do Pixies, visivelmente de má vontade durante a apresentação.

Por fim, o Linkin Park começou um ótimo encerramento para o evento. Talvez a banda mais esperada dos três dias, o Linkin Park conseguiu empolgar o público de mais de 45 mil pessoas, o que já conta bastante. Apesar de não ser mais uma das minhas bandas favoritas, e de não conhecer várias das músicas do último disco da banda que foram tocadas, admito que a banda conseguiu fazer um show excelente. Sem problemas técnicos, dominando o público com suas performances em cima do palco, a banda californiana garantiu um um encerramento que com certeza ficará marcado para sempre nas memórias de milhares de pessoas que puderam estar presentes.

Valeu a experiência e valeram as lembranças que vão ficar, de um evento que em termos de organização acabou ficando dentro dos padrões brasileiros. E não é sempre que temos a oportunidade de ver um evento desse porte no “quintal” de casa, sem precisar andar mais do que 25 minutos de carro. Que venham mais shows!

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Sobre João Paulo

Data Intelligence na Ogilvy. Bacharel em Comunicação Social - Midialogia pela UNICAMP. Me dedico à compreensão, planejamento e execução de estratégias de comunicação em plataformas de mídias sociais. Leio muito sobre sobre Social Media e Transmedia Storytelling. Ver todos os artigos de João Paulo

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