Como caminha o cinema no Brasil?

Com certeza você que está lendo esse blog já esteve pelo menos uma vez numa sala de cinema, não é? Assim como grande parte de seus amigos e seus familiares mais jovens. Cinema é um assunto que sempre está nas rodas de amigos, nos bate-papo virtuais etc.

Mas sabia que apenas 14% dos brasileiros frequentam salas de cinema pelo menos uma vez por ano, e 60% jamais estiveram em uma? Pois é! São mais de 110 milhões de brasileiros que nunca estiveram em uma sala de cinema. E pra piorar ainda mais, mais de 90% dos municípios em todo o país não possuem cinemas, teatros, museus e espaços culturais multiuso.

O Google, principal buscador do mundo, retorna mais de 6 milhões ocorrências da palavra “cinema” só em sites brasileiros. Bastante, não é!? Só que a parcela da população que tem acesso à esses sites é praticamente a mesma que frequenta salas de cinema pelo menos uma vez por ano. Ou seja, cinema no Brasil ainda é coisa restrita às classes A e B.

Entre os motivos que afastam os brasileiros das salas de cinema está o pequeno número de salas e a distância delas em relação a maior parte da população. Nos últimos vinte anos, a maior parte  das salas de foi parar dentro de shoppings, de modo que praticamente não existem mais pequenos cinemas nos bairros. Quem não frequenta shopping, não frequena cinema. Outro motivo é o alto valor do ingresso, que varia de R$7 até R$35, um valor relativamente alto para ser investido em cerca de 100 minutos de entretenimento, para muitas pessoas. E a tendência é que a média desse valor continue aumentando, devido ao crescimento dos cinemas 3D.

E como a produção nacional de cinema entra nessa história toda? Hoje são produzidos cerca de 1 filme a cada 2 dias no Brasil. Um número alto se compararmos com décadas anteriores. As leis de incentivo criadas pelo governo, que dão redução de impostos para empresas que patrocinarem a produção nacional, alavancaram fortemente essa produção na última década. Mas aí eu te pergunto: de quantos filmes brasileiros lançados em 2010 você lembra o nome? Pois é, cerca de 97% das sessões de cinema no Brasil ainda exibem filmes estrangeiros. Somente as grandes produções nacionais é que conseguem marcar presença nos maiores cinemas. A maior parte da produção nasce e morre sem quase ninguém ter visto.

O cinema brasileiro ainda é visto com forte preconceito por grande parte da população. Esse fato é antigo, começou lá nas décadas de 60 e 70, quando o cinema brasileiro entrou na fase da Pornochanchada e da Boca do Lixo, produções muito baratas e com forte apelo sexual, feitas para driblas os limites da censura do regime militar. Isso fez com que muitas pessoas criassem uma imagem ruim do cinema nacional, imagem que foi passada para as gerações seguintes e ecoa nas salas de cinema até hoje, 25 anos após o fim do período militar.

Porém, vivemos na última semana um momento inédito na história com cinema nacional, com o filme Tropa de Elite 2 ocupando mais de 50% de todas as salas de cinema do país. A ótima qualidade da produção, aliada a presença de atores e personagens conhecidos pelo público foram fatores contribuíram para esse sucesso. Até a última quarta-feira, dia 13, o filme já tinha conseguido 2,4 milhões de espectadores, se colocando como umas das maiores estréias do cinema brasileiro, ficando a frente de sucessos hollywoodianos como o primeiro Homem-Aranha.

O ministro da cultura, Juca Ferreira, declarou que vivemos um momento raro, em que “O cinema brasileiro está descobrindo o Brasil, e o Brasil está descobrindo o cinema brasileiro”. E, de fato, isso é digno de aplausos. Porém, não podemos deixar passar batidos aqueles números colocados no começo desse post, que mostram que não apenas o acesso ao cinema, como também o acesso à cultura como um todo, ainda são limitados a uma parcela minúscula da população. Fato esse que também atrapalha todos os profissionais que trabalham com cultura.

O cinema brasileiro vive uma fase positiva, como não se via a décadas. Entretanto esse cinema continua sendo produzido por poucos, para poucos. A melhora em relação a vinte anos, atrás, quando o cinema brasileiro estava morto, é gigantesca. Mas acontece a passos muito lentos, em mais um reflexo de como é organizada a sociedade nesse país.


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Sobre João Paulo

Data Intelligence na Ogilvy. Bacharel em Comunicação Social - Midialogia pela UNICAMP. Me dedico à compreensão, planejamento e execução de estratégias de comunicação em plataformas de mídias sociais. Leio muito sobre sobre Social Media e Transmedia Storytelling. Ver todos os artigos de João Paulo

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