Um show para nunca ser esquecido

Obviamente eu já pensava em escrever uma resenha sobre esse show assim que voltasse. Jogar alguns comentários e críticas sobre dele e boa, assim como no texto sobre o show do Aerosmith. …

Mas não vai ter jeito. Esse texto vai sair um pouco de controle e será bem mais do que uma resenha sobre um show, tamanho o impacto que ele teve. Não dá pra ficar puramente no show, quando o que se viveu foi uma experiência que ficará marcada pro resto da vida. Agora eu percebo como é complicado transformar em palavras algumas experiências que vivemos, sem ser apenas superficial. Realmente só quem esteve lá, na pista, durante duas horas e cinquenta minutos de show, talvez  possa me entender.

Quem ainda diz que investir num show desses (afinal, convenhamos que é bem caro para os padrões brasucas) não vale a pena, é porque ou nunca foi, ou foi esperando sentar e apreciar a banda lá de longe.. Só que show não é isso. E só pude chegar nessa conclusão depois estar presente em 3 shows em menos de um ano, investir mais de 500 reais neles. Vi cada um desses show por ângulos diferentes, de modos diferentes, em situações e com companhias diferentes. Até experimentar o que é viver um show na pista. Ficam em pé, próximo do artista, perdido num oceano de pessoas…. e, meu.. não tem como descrever aquela energia de estar em meio a 20 mil pessoas pulando, gritando, algumas até chorando. E é claro que só um grande músico, talvez um dos melhores de todos os tempos, pode dar conta de  manter aceso o ânimo dessas milhares de pessoas.

Pessoalmente, não foi só o espetáculo propriamente dito que ficará marcado. Afinal, chegar ao estádio do Morumbi óntem rendeu várias histórias, desde perder ônibus até viajar num carro velho, apelidado de “tomate seco”, ao lado de pessoas que eu nunca tinha visto na vida, mas que foram unidas pelo acaso e pela mesma vontade. Pessoas, aliás, dos mais diferentes tipos, desde um tiozão rockeiro que dividiu Tomate Seco, pessoas de 15 anos que estavam acompanhando pela primeira vez um show, e fãs que estiveram há 15 anos atrás na última apresentação do Bon Jovi em terras brasileiras. Todas ocupando o mesmo metro quadrado no gramado do estádio de Morumbi.

Já no estádio do Morumbi, antes da atração principal subir ao palco teve uma bandinha brasileira lá que tocou umas musiquinhas na abertura… mas eu nem lembro o nome. Não era muito boa.

Exatamente às 21h17 as luzes se apagavam e subia ao palco a banda de New Jersey para quase 3 HORAS de show, diante de um público de 60 mil pessoas. Os primeiros acordes de Blood on Blood foram só o começo de um Setlist praticamente perfeito, com um predomínio de clássicos e algumas músicas do último disco da banda, The Circle, que também dá nome a atual turnê do grupo. Algo justo, afinal depois de 15 anos sem pisar no Brasil, os fãs queriam mesmo era ouvir um setlist de clássicos, que compensasse de maneira digna os anos de ausência.

Se Blood on Blood não é uma das minha favoritas, a sequência de 5 músicas que veio a seguir foi de levantar qualquer platéia de Rock. We Weren’t Born to Follow foi a segunda, já partindo para um Rock mais pesado, e preparando o público para o maior trunfo da banda: You Give Love a Bad Name, talvez um dos melhores momentos da noite. A música de refrão marcante apenas iniciava a melhor sequência do show, preparando os fãs para Born to be My Baby, Lost Highway e Superman Tonight. Estava feita uma mistura de clássicos de todas as épocas e músicas novas, resultando numa solução infalível. Aliás, talvez esse tenha sido um dos grandes pontos positivos da banda, não renegar nenhuma fase dos quase 30 anos de carreira. Teve espaço pra tudo, de todas as épocas, dentro do extenso setlist preparado para  noite paulistana.

Outro momento do show que me marcou bastante foi a sequência com Bad Medicine, Pretty Womam(com o vocalista dividindo o microfone com o guitarrista Bobby Bandiera), Lay Your Hands on Me e fantástica Always.

Destaque também para  a estrela do vocalista Jon Bon Jovi. O cara tem uma presença de palco incrível, controlando a platéia durante todo o show. O vocalista conversa com o público, perguntando por várias vezes “Are you still there?“, e ouvindo um gigantesco “Sim” em troca. As atenções estão sempre voltadas para ele, que sabe usar as câmeras que o cercam, gesticulando e se expressando de acordo com a música. Só tinha visto pessoalmente uma presença tão forte assim em Steven Tyler, mas ainda sim, Jon Bon Jovi se mostrou uma estrela ainda maior.

E os clássicos continuaram com Have a Nice Day, Blaze of Glory, e Keep the Faith, até a banda sair do palco e retornar para o encore com These Days, as batidas country de Wanted Dead or Alive, e Someday i’ll be Saturday Night. Poderia ter parado por aí, mas não, já que os primeiros acordes de Living on a Prayer levantaram novamente a platéia, como se o show ainda estivesse começando. Durante a música, o telão gigante mostrava dezenas de videos de fãs cantando a música, resultado de um pedido feito pela banda no começo do ano.

Parecia que era o fim. A banda se juntou no centro do palco e agradeceu aos milhares de fãs presentes no estádio. Depois de uma pequena reunião entre os integrantes no centro do palco, a banda voltou para  encerrar o show com Bad of Roses, visivelmente não programada, e que foi tocada num rítmo bem mais lento que o normal.

A própria banda havia dito em entrevista coletiva horas antes do show que a duração ía depender principalmente da resposta do público. Pelo visto a resposta foi positiva, e às 00:12, depois de 27 músicas, o vocalista foi o primeiro a deixar o palco, seguido pelos outros integrantes.

Pronto, vi um show memorável do Bon Jovi. Uma coisa à menos pra eu fazer antes de morrer. E ainda posso dizer com certeza: hoje  gosto de Bon Jovi mais do que gostava ontem.

Cada centavo valeu pela experiência única, pelas lembranças que vão ficar durante muitos e muitos anos, e pela oportunidade de ver e sentir uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos, que parte para a sequência da turnê com a certeza que o seu som continuará cativando várias gerações, durante muitos anos.

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Sobre João Paulo

Data Intelligence na Ogilvy. Bacharel em Comunicação Social - Midialogia pela UNICAMP. Me dedico à compreensão, planejamento e execução de estratégias de comunicação em plataformas de mídias sociais. Leio muito sobre sobre Social Media e Transmedia Storytelling. Ver todos os artigos de João Paulo

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