Tomando um fôlego

Twitters, feeds, RSS, blogs.. vida em frente ao computador em geral. E não só lá, afinal agora as mensagens curtas do twitter são utilizadas para outras midias, como a televisão. De um modo geral, informações cada vez mais picotadas, distintas entre elas e chegando aos montes. Cada vez queremos saber mais e mais no menor tempo possível, sem se aprofundar muito em cada um dos assuntos. O que importa é estar por dentro de tudo, desde as notícias que bombam na TV, até as piadas curtas que circulam no Twitter ou o vídeo do momento no Youtube.

Estamos nos acostumado, (ou pelo menos eu estou..) a receber informações desse jeito, picotadas e aos montes, enquanto exercemos múltiplas tarefas em frente ao computador. Multiplas tarefas pois além daquele trabalho que temos que fazer num curto prazo, várias outras páginas permanecem abertas no navegador, sendo atualizadas constantemente, ou os feeds insistem em pipocar na tela. Mesmo no próprio trabalho, temos que ser cada vez mais rápidos, cumprir prazos curtos; e de uma hora pra outra o material que está sendo trabalhado muda radicalmente.

Perdia a facilidade que eu tinha para ler textos longos, ou livros inteiros. Ou mesmo assistir um filme longa-metragem até o final (houve tempos em que eu assistia 3 por dia). Agora são as mensagens curtas e os videos de até 10 minutos, ou as séries de TV que nos cativam. São rápidas e, num curto espaço de tempo, podemos ter contato com uma grande variedade delas.

Tudo isso parece estar contribuindo para uma “crise de concentração”, na qual é cada vez mais difícil focar num assunto só durante um longo tempo. Não paramos de pensar em todas as coisas que estão acontecendo lá fora enquanto lemos um livro longo para uma pesquisa, ou ficamos horas numa reunião.

Eu vinha sentido isso toda vez que precisava parar tudo e focar apenas num trabalho. Um daqueles trabalhos da faculdade, que exigem a leitura de um texto enorme, chato, cansativo… e obviamente não em português, só pra foder nossa vida.

Nas férias resolvi parar. Me afastei de tudo que lembrava trampo, obrigação ou trabalho compulsório e resolvi ler um livro qualquer. Em tempos nos quais mentes cansam mais do que músculos, pareceu uma ótima idéia. E não um daqueles que aparecem por obrigação, e fedem à traça de biblioteca da universidade. Escolhi um livro fácil de ler, para me re-acostumar com um “tempo de concentração anormal”. O livro escolhido foi “O Hobbit”, de J.R.R Tolkien. Já tinha lido esse livro exatamente um ano atrás, e foi até então a leitura mais deliciosa que já tive. Talvez esse seja um exercício ótimo: ler um livro fácil, que te dá prazer, e durante a leitura tentar esquecer de tudo que está explodindo lá fora. Afinal, ler é um exercício solitário.

É preciso tomar um novo fôlego antes de mergulhar pra valer outra vez.

Créditos para a imagem: blog “Desmotivado”.

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Sobre João Paulo

Data Intelligence na Ogilvy. Bacharel em Comunicação Social - Midialogia pela UNICAMP. Me dedico à compreensão, planejamento e execução de estratégias de comunicação em plataformas de mídias sociais. Leio muito sobre sobre Social Media e Transmedia Storytelling. Ver todos os artigos de João Paulo

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