Radialismo – aula zero

Fazer um programa de rádio pode ser bem mais difícil do que parece?? Não! Porque parece difícil e é, de fato, difícil.

Para fazer acontecer um programa de rádio é necessário, assim como em qualquer outra mídia, seguir uma série de etapas, que culminam com o produto pronto. Tudo nasce com uma idéia, que depois de lapidada e pronta determina o formato do programa. Nada melhor do que um brainstorm para fazer essas idéias tomaram forma e cor, começar a perceber os primeiros problemas e possiveis limitações criativas. Entretanto, existe outra coisa fundamental nesse ponto, algo que os amadores parecem ignorar: o público e o estudo do público. Não estamos falando aqui de arte, de contrariar conceitos. O rádio é uma mídia de massa, que possui uma série de etapas e padrões que precisam ser levados em consideração. Isso não é conservadorismo, pois conservadorismo, não é acreditar em fórmulas prontas, pois isso em mídia é sinônimo de mesmice. Mas o rádio possui uma série de padrões de produção, pré-edição e apresentação que são essenciais à um bom resultado.

Todo processo de comunicação visa transmitir uma mensagem à alguém ou à um grupo de pessoas, que modo que elas sejam capazes de entendimento e até de interação com a mensagem e com seu autor. Por isso, num dos primeiros estágios do processo, é preciso pesquisar o público. Saber o que ele pensa, como ele costuma ter acesso a mídia em questão e como ele costuma reagir a ela. Mesmo num programa pequeno, como o Invasão 1120, é importante pensar nas situações que levam à pessoa a ouvir rádio naquele momento, e consequentemente o que ela quer ouvir. Atente para o fato de que ainda estamos saindo do brainstorm e passando pela etapa da pesquisa, vai com calma que o programa ainda vai demorar pra acontecer.

Claro que todo programa é feito para atender um público específico, pois você não quer que um programa de Heavy Metal faça sucesso em um asilo, não é mesmo?? Isso é definido ainda no brainstorm inicial. Decidimos então fazer o “Invasão 1120” novamente. Um programa jovem, humorístico, descontraído, atual.. e uma série de outros adjetivos que pareciam culminar com sucesso eminente. Então por que não foi assim?? Apesar de um começo imensamente positivo e animador.. o ânimo cessou. Numa midia, como o rádio, a valocidade da informação é decisiva. Não falo de quantidade, mas da forma como essa informação é transmitida.

Na televisão estamos diante de um fluxo contante e ininterrupto de imagens. E como fica isso transferido para a midia do rádio? Quando assistimos TV recebemos estimulos por dois meios: visão e audição, que juntos podem ou não nos cativar e manter nossa atenção durante determinado programa. No rádio somos estimulados essencialmente por um meio: a audição. Os dispositivos para cativar a atenção do espectador são limitados, em termos de recursos disponíveis, em relação à televisão. Então como cativar a audição do espectador?? Antes tudo o fluxo sonoro deve ser contínuo. Se estamos num programa ao vivo, e principalmente visando um público mais jovem, a voz do apresentador deve ser constantemente acompanhada de um background musical. Mais do que isso, efeitos sonoros são fundamentais, não para ilustrar trechos de fala, mas para quebrar a espectativa em determinados momentos, mantendo a atenção do espectador.

Radio e Tv, então, não sao midias parecidas. As pessoas não ouvem rádio nas mesmas situações em que assistem televisão. Mesmo com a convergência das mídias, um fenômeno recente da comunicação, rádio e Tv ainda ocupam cada um o seu devido lugar. A grande maioria das pessoas da região sudeste do Brasil tem o custume de ligar a televisão, e não o rádio quando buscam algo para entretenimento em casa. Ao mesmo tempo, as pessoas ligam o rádio quando estão em seus carros, presos num congestionamento durante o dia, já que ainda são poucas as pessoas que possuem em seus veículos players de mp3 ou DVD. A linguagem de ambos é completamente diferente. Só pra citar alguns exeplos, no rádio uma noticia não pode se extender por muito tempo, ou fica cansativa. Não podem haver “vazios” de comunicação, representados pelo silêncio. Não temos faces para transmitir emoções humanas.. e por aí vai.

Depois dessa tentativa de falar, de modo bem simples, sobre o rádio, vou falar um pouco sobre o meu programa.

Qual é o gênero do Invasão 1120?? Por ser jovem, feito por pessoas jovens para um público jovem, ele precisa ser rápido, ágil, dinâmico, e sempre atual. Deve haver também um recorte regional, no caso Porto Feliz, já que mesmo sendo transmitido pela internet, o programa tem seus limites geográficos, determinados pela estrutura, e pelas condições em que é feio: feito por pessoas que se conhecem e são conhecidas no município, que é um município pequeno. Também não temos tento conhecimento acerca de outras cidade próximas, que nos permita falar com seus moradores da mesma forma como falamos com os de nossa cidade. Ao mesmo tempo, criar esse recorte municial afasta os habitantes das cidades vizinhas do nosso público, já que os faz perder o interesse. Talvez a melhor maneira fosse realmente começar com um recorte regional bem marcado e, com o tempo, com o aumento da audiência e a solidificação do formato do programa, expandir esse recorte. Nosso erro foi ter demorado demais nesse processo, talvez porque a dita solidificação não aconteceu. Faltou tempo? Não, o programa simplismente cansou nesse meio-tempo.

Em alguns momentos o programa era muito íntimo com alguns espectadores, focando em algumas poucas pessoas. Radio é uma mídia de massa, que não precisa necessariamente defender a opinião da maioria, mas precisa passar a sua mensagem de modo que ela possa ser entendida pelo maior número possível de pessoas, que fazem parte ou não de um público alvo, já que até mesmo um o público mais seleto tem as suas discrepâncias. Intimidade em excesso afasta aqueles que não compartilham desse espaço formado pelo radialista+ouvinte, fazendo-o se sentir um “estranho”.

Não vou citar os erros que levaram ao “fim” dessa etapa. Falei acima de como começar qualquer programa de rádio. Acho que esse processo não aconteceu aqui. Acho que as idéias eram boas, mas foram mal aplicadas, talvez visando um público errado ou feitas no momento inapropriado.

A oportunidade foi ótima, mas não acaba aqui.

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Sobre João Paulo

Data Intelligence na Ogilvy. Bacharel em Comunicação Social - Midialogia pela UNICAMP. Me dedico à compreensão, planejamento e execução de estratégias de comunicação em plataformas de mídias sociais. Leio muito sobre sobre Social Media e Transmedia Storytelling. Ver todos os artigos de João Paulo

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