Qual é o segredo do sucesso de uma banda?

Ahh… tava demorando pra eu tocar nesse assunto, né!? Pois bem, chegou o momento ideal pra falar sobre essa, que é a minha banda favorita, e uma das mais importantes da história do Rock: o IU-TCHU

Acho que o grande segredo do sucesso dos caras é a contante inovação; a constante busca por um novo som e uma nova essência. Ontem tivemos mais um exemplo disso; aliás, foi um daqueles dias que vão entrar pra história, pois pela primeira vez o mundo todo teve a chance de assistir um show ao vivo transmitido pela internet. Assim foi a apresentação do U2 em Los Angeles, no fodástico Rose Bown Stadium (o mesmo estádio onde o Brasil ganhou a Copa de 94, palco de uma das cenas mais bizarras da história do futebol: Galvão Bueno com os óculos caindo abraçado em Pelé grintando É TETRAAA, É TETRAA…).

A invoção já começa com o palco que foi criado para especialmente para a nova turnê.  A “nave” coloca a banda no centro do estádio em um palco 360º, debaixo de um telão gigante sustentado por uma estrutura de 4 patas. Tá, chega de descrever, vamos ao que interessa:

Quero falar um pouco sobre as músicas que fizeram parte do Set. O último álbum da banda, “No Line on the Horizon”, representou a entrada em uma nova fase. O U2 abusou do estilo próprio e criou um álbum que fala pelo conjunto da obra, já que não tem nenhum grande hit de sucesso.
‘Nós imaginamos que o modelo ‘álbum’ é uma espécie quase extinta, e tentamos criar um clima neste disco, com começo, meio e fim. E eu acho que criamos uma obra um pouco desafiadora para as pessoas que cresceram em uma dieta de pop stars’ nas palavras do vocalista Bono Vox.
Enfim, algumas das músicas desse álbum se juntaram à clássicos da banda e fizerem um Set quase impecável. “Breathe” ainda funciona na abertura, quando os integrantes sobem um a um até o palco, puxados pelo dono, chefe, imperador da banda: Larry Mullen. “Get on your Boots” vem em seguida, uma péssima música, mas que ao vivo se tornou um dos pontos altos do show, em parte graças à nova abertura. “Magnificent” leva ao público ao delírio,… aliás, aqui vai um comentário pessoal: QUE PÚBLICO CHATO, hein! Povinho desanimadaço..

“Beautifil Day”…. fucking great song! Sem palavras, né!? Uma música que não envelhece, que não enjôa.. com direito à um trecho de “In God’s Country” no final. Uma das músicas que mais são a cara do U2! Mas a banda ainda tinha mais clássicos, era a hora de “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” e “Stuck in a Moment”.. duas músicas que qualquer homo-sapiens sabe de cor. Seria então a hora de “Electrical Storm” ser eternizada finalmente? Mas não foi assim, o clássico ficou mais uma vez de fora, uma pena..

“Let’ make some noise!!”.. era a hora da surpreendente “No Line on the Horizon”.. um U2 experimentando um novo tipo de som, só que ainda trazendo a marca do U2 clássico, dos anos 80. “Elevation” foi a seguinte, uma música que já cansou.. podia ter dado lugar á “Electrical Storm” ou “Your Blue Room”, eu acho.

“In a Little While”, uma das melhores músicas do U2, na minha humilde opinião, veio em seguida. Uma música particulamente marcante pra mim também.. e uma ótima introdução para “Unknown Caller”, que evoca o público num dos pontos altos do show. Nesse momento o telão se torna um espetáculo à parte, com um jogo de luzes que acompanha a pesada “Until the End of the World”. Mas o ponto alto vem com o resgate da clássica “The Unforgettable Fire”: Edge vai para o piano, o telão se deforma e o espectador tem uma experiência de arrepiar.

“City of Blinding Lights” já é clássica também, hein! Pois ela veio em seguida. Cheguei a duvidar que essa música fosse boa quando descobri que ela fazia parte da trilha sonora do Big Brother. “Vertigo” e a versão remixada de “I’ll Go Crazy if I don’t Go Crazy Tonight” vêm antes da clássica, “Sunday Bloody Sunday”, uma música que infelizmente já não fascina tanto, … creio que perdeu sua essência com o tempo. É a parte do U2 protestando no palco, como não pode deixar de ser, .. e isso dá uma discussão, meu amigo!!! “MLK” e “Walk On” entram nessa mesma onda. Será que é tão errado assim para uma banda falar sobre política, fome e crise social quando está no palco?? Eu acho que não, mas não é tão simples assim…

“One” e “Where the Streets Have no Name” são o clímax do show. Até a chatíssima platéia estadunidense se rende. E como não ficar arrepiado quando Edge começa com os primeiros acordes de Streets, talvez o maior hino do U2 desde seu lançamento em 1987. E “One”?? Dispensa comentários! A melhor música da banda na minha opinião. É U2 na sua melhor fase!

“Ultraviolet” também inova: um microfone em formato de volante que flutua no palco, quase derrubando o vocalista.. “With or Without You” e “Moment of Surrender” encerram de maneira magnífica o show. Uma experiência que ficou na história.

E deu certo?? Olha só: Por volta das 3h, o canal “U2” no YouTube, no qual se transmitia o show, registrava mais de 1,3 milhão de acessos. O show foi exibido em 19 países pela web: além do Brasil, o show foi disponível para Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Reino Unido, Espanha, Estados Unidos, França, Índia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, México, Nova Zelândia e Holanda.
Na página do Youtube que transmitia o show também foram verificados 53.897 cliques na área de compra, 28.934 cliques na área de doações, 37.000 cliques nas ventas de discos e 35.000 cliques no iTunes.

O YouTube vem tendo uma relação incômoda com a indústria das gravadoras. Estas argumentam que os sites populares de relacionamento social e vídeos online deveriam lhes pagar mais pelo direito de transmitirem shows dos artistas que têm contrato com as gravadoras. Ao mesmo tempo, as gravadoras reconhecem a importância de manter sua presença nos sites que ajudam a moldar os gostos musicais dos fãs jovens.

Parece que o U2 caiu na real e conseguiu criar uma nova alternativa de salvação para a indústria fonográfica. Qualquer banda que hoje tente sobreviver apenas da venda de discos estará na fila do desemprego e almoçando em restaurantes de 1 real em breve. O mercado de shows é a principal arma das grandes bandas hoje, só que isso não basta. Foi o que o U2 fez: conseguiu divulgar seu novo trabalho de forma eficiente para todo o mundo, trouxe novos fãs, mostrou um novo conceito a ser seguido por outras bandas e até vendeu discos!!!! Tudo isso em apenas uma noite.

“O grupo queria fazer este tipo de coisa há algum tempo”, revelou o agente do U2, Paul McGuinness, em um comunicado divulgado no site da banda. “É a ocasião ideal para que a festa vá além do estádio. Os fãs percorrem longas distâncias para ver o U2, mas desta vez a banda irá até eles, ao mundo inteiro”.

Como estudante de comunicação e interessado por novas tecnologias e novas idéias em mídia, acho que foi uma experiência muito legal. É bom ver gente arriscando, inovando tanto, sem nunca perder a essência, sem abusar de fórmulas prontas… É o U2 numa de suas melhores fases.

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Sobre João Paulo

Data Intelligence na Ogilvy. Bacharel em Comunicação Social - Midialogia pela UNICAMP. Me dedico à compreensão, planejamento e execução de estratégias de comunicação em plataformas de mídias sociais. Leio muito sobre sobre Social Media e Transmedia Storytelling. Ver todos os artigos de João Paulo

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